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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Entrevista Correio da Manhã

CORREIO DA MANHÃ
DISCOTECA RECHEADA DE HISTORIA SERVE CULTURA E DESPORTO

Realizou-se na sexta-feira, na Discoteca da Quinta, em Calvaria, a festa do Condestável Atlético Clube de S.Jorge (Porto de Mós), que reuniu largas centenas de sócios e simpatizantes da agrgemiação e teve o apoio do «Correio da Manhã».
Na festa – em que a musica e a alegria ocuparam os lugares cimeiros – houve alguns momentos de maior seriedade, como foi aquele em que o presidente do clube, em declarações ao nosso jornal, lamentou o facto do Condestável estar presentemente a pagar o aluguer das suas instalações e do campo onde joga; significando isto que não possui nem sede nem estádio próprios, apesar de ser um dos clubes mais antigos da região de Leiria, e sobretudo, do conselho de Porto de Mós. A festa visou a angariação de fundos para a construção do futuro pavilhão-sede do CAC, em que está orçamentado em cerca de 20mil contos e deverá começar a ser edificado durante o próximo ano.
Em conversa com um dos responsáveis pela Discoteca da Quinta, «descobrimos» que aquele espaço está embuido de historia. Na realidade, nos terrenos envolventes da discotecee inclusivamente onde ela se situa foram encontrados vários objectos da época romana, como por exemplo moedas. Encontram-se ainda ossadas, objectos de ferro, ânforas e telhas de grandes dimensões.
CAMPEAO NÃO TEM SEDE… NEM CAMPO
O Condestável Atlético Clube de S.Jorge, apesar de ter sido campeão distrital da 1ª Divisão na época de 1976/77, subindo, consecutivamente à 3ª Divisão Nacional de futebol, continua a não possuir sede nem campo próprios, embora a primeira situação esteja prestes a ser ultrapassada.
A agremiação da freguesia de Calvaria tem já projectada a construção de um pavilhão-sede, que custará cerca de 20 mil contos – 60 por cento dos quais sarao obtidos, segundo os dirigentes do CAC, através de um subsidio da Direcção Geral de Desportos – e começará a ser edificado durante o próximo ano.
A principal dficuldade do clube, presentemente, reside no facto de ainda não ter conseguido adquirir terreno onde edificar o pavilhão-sede.
Fundado em 1 de Maio de 1964, o clube tem actualmente 600 socios, maioritariamente do conselho de Porto de Mós, e 120 praticantes, divididos pelas modalidades de atletismo, ciclismo, ginástica e futebol.
Por falta de condições financeiras e de instalações o clube viu-se forçado a deixar de promover o andebol (há dez anos atrás praticado num campo de futebol dividido ao meio) e o futebol feminino (em que o clube foi pioneiro em 1975/76, agora so praticado em alturas festivas com encontros solteiras-casadas.
PAGAM TUDO… MENOS AOS JOGADORES
O CAC está actualmente a pagar renda do campo de futebol onde joga – que pertence a uma empresa – e da sua sede, que não reúne as mínimas condições. Ao invés desta situação nenhum dos atletas do clube recebe qualquer gratificação monetária pelo seu trabalho no Condestável que é, assim, completamente amador. Inclusivamente, para se deslocarem ás localidades onde jogam, os futebolistas servem-se de meios próprios ou de pessoas ligadas ao clube, que não possui carrinha para aquele efeito.
A equipa de futebol do CAC, a militar na 2ª Divisão distrital, venceu em 1975/76 a taça do distrito de Leiria, e classificou-se em 1º lugar da 1ª Divisão distrital uma vez, e duas vezes em 1º lugar da 2ª Divisão distrital, tendo terminado a época passada em segundo com o mesmo numero de pontos do primeiro classificado.
Pelos mesmos motivos do andebol e futebol feminino, também o teatro acabou em 1978 para o CAC, que não possui espaço com condições para representar. Hoje, para além das modalidades referidas, o clube promove festas, bailes, convívios e jogos de xadrez, damas e ténis de mesa.
ESTAÇÃO DE NIVEL NACIONAL
Na quinta, onde está situada a discoteca em que o Condestável realizou a sua festa, denominada «do Sampaio», foi feita uma das mais vastas e variadas recolhas de moedas de prata do período romano.
A estação arqueológica trouxeà luz do dia moedas dos imperadores Marco Atilio Régulo (257aC) e Fábio Máximo Serviliano, que foi cônsul romano na lusitânea no ano 144 aC e um dos generais derrotados por Viriato. Foram ainda encontradas moedas do tempo de Aureliano (270 a 275 da era de Cristo)
Muitas destas moedas foram compradas por particulares, mas a maior parte foi parar á mão de um ourives que as derreteu. Para além do «vil metal» foram encontradas ossadas, objectos de ferro, telhas de grandes dimensões, ânforas e o que restava de um antigo cemitério.
Destas descobertas – efectuadas há algumas dezenas de anos – existem já poucos vestígios, mas a história da Quinta do Sampaio é abundantemente referida quando se estuda o passado do Conselho de Porto de Mós, sobretuudo no que diz respeito ao período romano.
Carlos Ferreira

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