CONDESTÁVEL ATLETICO CLUBE
COMPORTAMENTO DIGNO NO CAMPEONATO
TANTO DESPORTIVO COMO DISCIPLINAR
De entre todos os concorrentes do actual Campeonato Nacional da 3ª Divisão, figuram alguns que pela primeira vez, se encontram envolvidos naquela competição, como resultado das suas classificações nas provas distritais da época finda e cujo comportamento está a ser seguido com certa coriosidade.
Figura neste caso entre outras, a equipa do Condestável, mais precisamente a turma do Condestável Atletico Clube, de S.Jorge, ridente e pitoresca localidade situada entre as pequenas vilas de Porto de Mós e Batalha.
Pois afim de tanto tempo possível nos documentarmos com a vida deste novo competidor a nível federativo quala sua actividadee os seus principais problemas e maiores aspirações, estivemos recentemente em S.jorge.
Diremos, entretanto, que o Condestávelse encontra integrado na serie D, da citada divisão e, se é certo que ainda é muito cedo para se tirarem seguras ilações acerca das suas probablilidades, também é verdade que, até agora, o seu comportamento, sem se poder classificar de desastroso ou decepcionante, pode contudo considerar-se pouco airoso e agradável em função dos resultados até aqui registados.
Conhecidos os nossos propósitos, foi o sr Mario Bento, esforçado presidente do Condestável, que em resposta á nossa primeira pergunta, começou por nos esclarecer:
- embora o nosso clube tivesse sido fundado em 1 de Maio de 1964, só duas épocas depois se filiou na AF Leiria.
E porquê Condestável?
Trata-se duma homenagem á grande histórica figura de D.Nuno Alvares, cuja mais importante batalha que tanto o celebrizou, foi travada precisamente aqui em S.Jorge.
Qual foi até agora o vosso maior feito em termos de títulos?
Nesse capitulo (e alias em todos os aspectos) o nosso Clube é bastante modesto pequeno e pobre é o nosso meio. Com efeito ao longo do seu pequeno historal, o Condestável apenas conquistou o 1º lugar na «Taça Distrito de Leiria», na época passada, cujo feito e correspondente taça tem para nós, naturalmente, um sabor muito especial.
Dificuldades Financeiras
Num meio tão pequeno e pobre como diz, não os assusta a 3ª Divisão? Maiores deslocações, mais encargos, mais problemas…
Estamos na verdade a fazer um esforço verdadeiramente gigantesco para manter a equipaem tão honroso escalão, um escalão a nível nacional, a exigir certa capacidade e responsabilidade. Note que apenas temos cerca de 270 associados, com a quotização de cerca de 5 contos mensais, importância de facto insignificante face aos vários encargos que nos assoberbam e que seremos obrigados a suportar. No entanto – e apesar das despesas mensais oscilarem entre os 15 e 20 mil escudos – tudo faremos por não criar responsabilidades e compromissos que poderiam arrastar o clube para situações difíceis e aborrecidas, ao mesmo tempo que nos esforçaremos por nos mantermos na posicao agora alcançada.
Mas mesmo assim em termos financeiros, ainda existe um certo desnível…
A diferença que aparentemente existe tem sido compensada com a realização de festas, sorteios, bailes, exploração de bares, bufetes, realização de torneios, receitas de jogos, peditórios, jogos de matraquilhos, etc. enfim, a tudo quanto se possa deitar a mão.
E conseguem equilibrar o Deve e o Haver?
Essa tem sido a nossa grande e dominante preocupação. E dessa linha de rumo não no queremos nem devemos afastar um milímetro sequer. Sabemos com o que mais ou menos podemos contar e, a partir dai, terá que haver um pouco de bom senso e de disciplina. Nada pois, de disparates, de atitudes precipitadas.
Amadorismo integral
Há os encargos com os jogadores…
Os jogadores são todos naturais da região, são totalmente amadores, não vencendo um centavo sequer. E olhe que nem por isso deixam de prestar a melhor colaboração e de dar o melhor e maior esforço no sentido de bem representar o Clube. Nada, pois, de subsídios de qualquer prémios que ao fim e ao cabo, o Condestável não podia satisfazer. A única coisa que o clube lhes concede é um pequeno lanche após os treinos já que sendo estes feitos a noite, já libertos das suas ocupações profissionais, passa por já não serem horas próprias para o jantar, dada a hora tardia a que normalmente acabam. Contudo, no final da temporada, na hipótese de se conseguir alguma coisa e muito provável que arranje qualquer premio para os jogadores, quanto mais não seja para um pirolito. Bem ve o meio é constituído por escassas centenas de pessoas. E hoje, tudo é muito caro: equipamentos, medicamentos. De resto, os jogadores têm disso a mais perfeita consciência. Alguns deles fazem inclusivamente, parte dos corpor gerentes e ainda na época passada o jogador Asdrubal, foi o presidente da direcção. Ele era um autêntico «faz-tudo», desde o resolver problemas até ao desempenhar as funções de roupeiro.
Há também o problemas dos transportes…
Ate agora tem sido feitos praticamente sem encargos para o clube. Tem havido sempre uns amigos que na hora da abalada, na hora H, aparecem para oferecer os seus carros, além dos automóveis dos directores e dos próprios jogadores. Mas como cremos não ser justo nem correcto estar permanentemente a «cravar» as pessoas – alias quase sempre as mesmas – acabámos de comprar um autocarro de 20lugares para transporte da equipa. Embora em segunda mão, mas em estado muito aceitável, custou-nos cerca de três centenas de contos, pelo que o problemas dos transportes vai ficar solucionado.
E agora o dinheiro para o pagamento do autocarro?
Não temos de facto. Terão, pois, que assinar algumas letras. Entretanto, exactamente para aquele fim, tencionamos organizar uma campanha em força junto de toda a população sem esquecer a parte comercial e industrial, até porque ao fim e ao resto, o Condestável é de todos e não deste ou daquele. Este anos estamos nós á sua frente, como ontem estiveram outros e amanha outros estarão. Volto a salientar que a aldeia é muito pequena e por isso mesmo terá que haver a melhor e mais franca colaboração de todos.
Auxilio do totobola
Não tem quaisquer subsídios?
Recebemos uma vez o auxilio da 120 contos da FPF, via Totobola, com destino á electrificação do nosso campo e por sua vez, a Camara Municipal de Porto de Mós tem-nos concedido a importância anual de 6 mil escudos. Esta época, porem atendendo á projecção alcançada, prometeu nos 25contos, parte dos quais, alias já nos foram entregues, o que revela boa vontade. Reconheço que pouco mais a entidade pode fazer, dado que existem no conselho mais colectividades desportivas e este ano mais quatro acabaram de se filiar na AF Leiria, preparando-se para disputar os respectivos campeonatos; AD Portomosense, GD Pedreiras, Cruz da Légua e Cumeira. Alias, há um ano a esta parte deu-se nesse aspecto, um autentico fenómeno no distrito de Leiria, pois que mais de meia centena de clubes inscreveram-se na nossa associação, a provar o enorme entusiasmo que o futebol esta a despertar em todo o distrito, agora com mais de oito dezenas de filiados. Grande deve ser a azafama dentro da secretaria da associação. Por outro lado, não sabemos como vai ser possível conseguir-se tantas equipas de arbitragens. Mas enfim, estou confiado qe todos os problemas serão resolvidos a contento de todos.
A vossa entrada na 3ª Divisão suscitou alguma controvérsia…
Mas injustamente. Uma vez que o União do Funchal, a quem competia ingressar na 3ª Divisão se recusou a fazê-lo (parece que a devido a dificuldades económicas) foi o Condestável que por força do regulamento, ganhou esse tal direito, exactamente devido ao elevado numero de filiados da AF Leiria, sem duvida, nesse aspecto, das mais importantes do pais. Portanto, não se tratou de qualquer espécie de injustiça ou de favoritismo. Cumpriu-se com o regulamento e nada mais. Calhou ser o Condestável como poderia ter sido qualquer outro.
E acha que a equipa tem correspondido?
Tivemos sobretudo um certo azar com o sorteio, pois logo de inicio tivemos de defrontar algumas das equipas mais apetrechadas e credenciadas do campeonato. Depois em partidas para contar para a Taca de Portugal, ainda tivemos que nos deslocar a Tomar e ao Marrazes. Estou no entanto confiante que com maior experiencia e mais rodada, a equipa passará por ganhar mais desenvoltura e portanto mais possibilidades de marcar boa presença. Os jogadores alem de muito habilidosos, são muito valorizados e esforçados e por sua vez o orientador Alves Pereira Parada, antigo jogador do Marinhense, tem manifestado excelentes conhecimentos e qualidades. Alias, foram os próprios jogadores, directores e massa associativa que por meio de votação secreta, decidiram pela continuação de Parada no Condestável.
Quais são no seu entender as equipas com mais possibilidades dentro da vossa zona?
O Caldas e o Torriense são conjuntos a considerar, pois por si so, as suas estruturas assim o justificam. São clubes com certa capacidade, com cabela tronco e membros. Trata-se de resto de equipas já militaram na 1ª Divisão Nacional. Todavia, a turma do GD Batalha que já na época passada se portou de maneira admirável também esta a conseguir uma surpresa muito agradável.
Rivalidade regional
Consta-nos que entre o Condestável e o Batalha existe uma grande rivalidade…
Existe de facto grande rivalidade entre os dois clubes, mas mais por se tratar de terras vizinhas do que por qualquer outra coisa. De resto isso ate não significa – não pode significar de modo algum – que no fundo não haja entre eles um respeito e consideração para alem de se tratar dum grande acontecimento em toda a região quando ambos se defrontam. É considerado domo dos mais importantes derbies do distrito, tal o entusiasmo que tais encontros costumam despertar em toda a gente, incluindo a que habitualmente, pouca importância liga ao futebol. Repare que na partida que recentemente disputamos a contar para o actual campeonato, a receita de bilheteira atingiu a excelente importância de 28 contos. E se não tivesse coincidido dom o dia de abertura da caça…
Porque não anteciparam um dia?
Porque o Batalha não concordou.
Porquê?
Não disse porquê. E agora creio não valer a pena falar nesse assunto. Embora para lamentar, é caso arrumado e portanto para esquecer. Devo, porém, salientar que constitui para nós motivo de orgulho e grande satisfação mantermos as melhores relações com todas as colectividades. De resto, não se compreende nem terá de se aceitar que por causa do futebol se registem conflitos, se criem mal crenças, se fomentem inimizades, chegando ao ponto de se cortarem relações. Creio que a pratica do desporto terá uma finalidade bem diferente, bem oposta.
Já que nos falou na maior receita, já agora diga-nos qual foi, até agora a mais fraca…
Ate este momento foi no encontro com o Lousanense, partida em que apenas se apuraram 6 mil escudos. É possível que outras mais baixas se registem. Para essas coisas, o tempo também tem uma grande influência. E o campeonato por assim dizer, ainda vai no seu início.
Em defesa da disciplina
No aspecto disciplinar, como têm decorrido os jogos?
O melhor possível. E tudo faremos para que assim seja até final, quer por parte dos jogadores, quer por banda da assistência. Tanto eu como os meus colegas da direcção nos encontramos bastante atentos e vigilantes durante os encontros, no sentido de ao mais pequeno sinal de «fogo», aparecermos rapidamente para que, a tempo e horas, se possa dominar, sem problemas o sinal de «incêndio». Como seria bom que toda a gente se compenetrasse, duma vez por todas, que «desporto sem correcção não é desporto», aceitando o desenrolar dos acontecimentos com desportivismo e disciplina. Pode-se muito bem aplaudir e entusiasmar uma equipa sem procurar ofender ou provocar a outra, a opositora. Quanto a um ou outro deslize dos árbitros – mas haverá alguém no mundo que não erre? – pois isso jamais poderá ser motivo para atitudes e acções menos próprias, menos correctas. De resto, isso nem devia ser preocupação dos dirigentes, tão cheios de problemas, complicações e contrariedades já eles encontram.
Quanto a outras actividades?
Presentemente, apenas praticamos futebol. Também já nos dedicamos ao andebol, mas com a morte do Boaventura ( o grande entusiasta e dinamizador da modalidade) juntamente com mais três jovens jogadores, vitimas dum trágico acidente de viação próximo da Ota, a secção acabou por ficar suspensa.
E acerca de aspirações?
Mas que aspiracoes podemos nos ter? clube pobre, pequeno, sem quaisquer possibilidades… em todo o caso, presentemente o nosso maior anseio reside numa posição airosa no actual campeonato e que no aspecto disciplinar tudo corra o melhor possível. Será pedir muito?
Por nossa parte, queremos que não, sr. Mário Bento
ANTERO FERNANDES
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